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23rd of October 2018

Internacional



Parlamento espanhol aprova decreto para exumar Franco de seu mausoléu

Madrid, Espanha - A câmara baixa do Parlamento espanhol aprovou nesta quinta-feira (13/9) um decreto do governo para exumar os restos mortais do ditador Francisco Franco do mausoléu onde ele se encontra, perto de Madri. O decreto foi aprovado por 172 votos a favor, 164 abstenções e dois contra. O objetivo do governo socialista é remover os restos daqui até o final do ano do Vale dos Caídos. Esta é uma decisão que provoca divergências políticas no país, que tem dificuldades para lidar com questões do passado.Para concretizar a medida, que tem a oposição da família do ditador e da oposição conservadora, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez optou por apresentar um decreto-lei. A exumação dos restos mortais que estão no "Valle de los Caídos", um imponente conjunto monumental a 50 km de Madri, provavelmente acontecerá no fim do ano, segundo a vice-primeira-ministra Carmen Calvo, no final de agosto.Após a exumação, a solução lógica será enviar os restos mortais para o túmulo que a família Franco tem no cemitério El Pardo, na região de Madri.Os descendentes do "generalíssimo" são contrários à medida, mas Carmen Calvo explicou que o governo está preparado para todas as eventualidades. Se a família não indicar um novo local ou continuar contrária à medida, o Executivo "decidirá para qual local digno e respeitoso serão levados os restos mortais de Franco".  Um mausoléu de proporções imponentesDesde 23 de novembro de 1975, três dias depois de sua morte, o corpo do general Franco, vencedor da Guerra Civil (1936-1939), está no 'Valle de los Caídos". O local, um impressionante complexo a 50 km de Madri, tem uma basílica com uma cruz de 150 metros de altura.O militar que governou o país de 1939 a 1975 está enterrado no altar da basílica sob uma laje sempre coberta por flores frescas, assim como o fundador do partido fascista Falange, José Antonio Primo de Rivera.No mesmo complexo foram sepultados quase 27.000 combatentes franquistas e 10.000 opositores republicanos, motivo pelo qual o ditador apresentou o "Valle" como um local de "reconciliação".Os críticos, no entanto, o consideram um insulto às vítimas da repressão franquista, porque os corpos dos republicanos, retirados de cemitérios e valas comuns, foram levados até o local sem o consentimento de suas famílias. Além disso, o conjunto monumental foi construído por quase 20.000 presos políticos, entre 1940 e 1959.Pedro Sánchez defendeu a iniciativa poucos dias depois de chegar ao poder, alegando que um lugar como "Valle de los Caídos" seria inimaginável em países como Alemanha ou Itália.Os socialistas afirmam que desejam transformar o "Valle de los Caídos" em um verdadeiro local de reconciliação e memória, sem apresentar detalhes sobre como pretendem modificar um conjunto monumental de forte caráter católico e idealizado pelo próprio Franco.O governo insiste que a exumação foi objeto de uma proposta aprovada no Parlamento em maio de 2017 sem votos contrários, quando o Executivo era comandado pelo conservador Partido Popular, agora na oposição.Mas em um país onde a memória sobre a guerra e a ditadura continua sendo um tema delicado, todos os projetos esbarram na oposição da família do ditador, da Fundação Francisco Franco, que reivindica sua memória, e sobretudo com a do PP, que insiste na necessidade de não reabrir "antigas feridas".Os conservadores devem recorrer ao Tribunal Constitucional contra a exumação, pois consideram abusivo o uso de um decreto-lei para um tema que não é urgente."Os socialistas estão mais interessados em abrir as trincheiras fechadas e as cicatrizes já cicatrizadas de nosso pior passado, ao invés de concentrar-se em nosso melhor presente", afirmou Pablo Casado, líder do PP no mês passado.Read More




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