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20th of October 2018

Mulher



Assédio nas escolas? Reprovação nele

Assédio sexual em escolas não é novidade. É assunto mais velho que a minha avó. Sempre existiu. Sempre foi fofocado a boca pequena entre todos nas escolas. Então por que agora, de repente, se tornou o assunto mais comentado das redes sociais?

Porque deixou de ser só um tema de fofoca e passou ao status de denúncia. Alunas do colégio Pensi criaram uma campanha onde acusam professores que andam tratando lista de presença como se fosse cardápio. Assediando, rondando, humilhando com comentários inadequados.

Denunciar é preciso sempre. Se unir numa corrente forte é fundamental. Fazer barulho é a única forma de ser ouvida.

As alunas se queixam de não serem ouvidas com a atenção necessária. Da falta de atitudes. Da ausência total de punição. Isso não é privilégio do Pensi, minha gente. Uma vista rápida em colégios públicos e particulares já mostraria o tamanho do estrago.

Trabalhei em colégios. Vi e ouvi histórias. Inclusive de professor que mandava aluna sentar no colo dele. Todos sabiam. Todos comentavam. Inclusive a diretora.

Em outro, o professor levava alunas para fazer compras em lojas de departamentos. A que preço? Cobrando o que de volta?

Em outra ainda, o professor tirava a aliança. Escolhia uma vítima. Investia. Dava carona. Um homem de bem. Precisa ver que casal bonito que é ele passeando de mãos dadas (e de aliança, claro) com a mulher.

Numa escola do estado, o próprio diretor teve um caso com uma aluna. Engravidou a moça. Se negou a assumir a paternidade. Em todos os casos, todos sabiam. O que faziam? Fofoca. Só fofoca. Atitude mesmo? Nenhuma.

O ensino médio é um caldeirão borbulhante. De um lado temos professores numa idade não tão distante da delas. Novinhos, sedutores. Cheios de piadas e saber. Um bom professor cativa. Encanta. Deveria ser um tesão intelectual. Nem sempre fica só nisso.

Levante a mão aí quem nunca se apaixonou por um professor. Quem não babava na aula do crush que atire o primeiro giz. Um bom professor apaixona. Faz parte.

De um lado temos adolescentes lindas, na flor da idade. Sedutoras. Prontas para atacar. E atacam. Muitas atacam mesmo. Veja bem, elas podem atacar. Eles é que não podem pegar as meninas. Porque elas se acham super experientes. Não são.

O professor é que é o adulto da relação. Ele que tem que desviar. Desconversar. Sair da reta. Só que, ao invés disso, tem os que ainda tiram a aliança do dedo para fingir que são libertos. Sem compromisso.

Professores assediadores são pessoas criminosas. Sejam eles homens ou mulheres. A gente escolhe a dedo um lugar para um filho. Imagina que ele será bem tratado. Bem cuidado. Respeitado. Que ali dentro estará seguro. Sem perceber que, ao contrário, a gente matricula a ovelha na escola do lobo.

O descaso com as denúncias que as alunas encontraram, é um descaso social. Um vício social mofado e fedorento. A velha mania de duvidar das vítimas. A mais velha ainda de acusar as vítimas.

- Alguma ela fez.

Serve para agressões, assédios, estupros. Serve para aliviar a barra dos homens. Serve para compactuar com agressores. Para perpetuar a impunidade. A mesma impunidade que faz a gente ir se encolhendo humilhada, enquanto os homens saem felizes e soltos por aí.

Pare na porta de um colégio, qualquer colégio, por uns minutos. Pergunte as histórias. Elas virão aos montes. Os alunos já entram na escola sabendo quem são os abusadores. Se eles sabem, a direção não sabe por que? Não sabe ou apenas se omite?

Se omitir, se calar, fingir que nada sabe. Que posiçãozinha cômoda. Sonsa. Nojenta. Baixa. E comum. O silêncio das direções é tão esperado quanto o boletim no final do bimestre.

Depois do leite derramado, o Pensi divulgou as atitudes que tomou. Não fez mais do que a obrigação. E, pelo visto, está é bem atrasado. Mas a falta de uma escuta atenta e cuidadosa não é privilégio dessa rede de escolas. Passa por todas elas.

Em todas, ou quase, temos o mesmo problema. Fruto de uma questão torta social que diz que mulher é como hambúrguer de fast food. Você come e vai embora.

O Pensi não é O grande vilão, nem o grande herói por tomar providências. Só mais um. A grande diferença nessa história não é o colégio. É a atitude.

Assédio nas escolas? Não pode passar de ano. Reprovação nele. Só com a boca no trombone, com a coragem de denunciar, de se unir, de provocar mudanças é que a gente vai conseguir uma sociedade melhor.

Meus parabéns às meninas do Pensi Niterói. Meus parabéns às meninas de todas as outras escolas que eu sei que estão nessa luta também. Força, meninas! O caminho é esse mesmo. Vocês estão fazendo o que a minha geração não soube fazer. Construindo um mundo melhor. Gratidão a todas.

Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Especialista em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.

Escreva contando sua história. Mande sua sugestão para elbayehmonic@yahoo.com.br

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