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22nd of July 2018

Mulher



Terça é dia de luta, bebê!

- Você que está mentindo, minha filha!

Lendo assim o que você imagina? Uma briga vizinhas barraqueiras, mãos na cintura, gritando loucas no meio da rua? Pois essa frase não é de vizinhas. Foi dita por Paulo Messina, secretário, ex-secretário, re-secretário da Casa Civil de Crivella.

Esquisito? O que exatamente você achou esquisito? Messina batendo boca e ofendendo os funcionários do município? Ou ele ser, deixar de ser e voltar a ser secretário da Casa Civil em períodos curtíssimos?

Tudo, você diria? Sim. Nessa história há mais coisas esquisitas do que imaginaria sua vã filosofia. Messina saiu da secretaria para ser mais um voto a favor do projeto que taxa em 11% os aposentados e pensionistas com rendimentos acima do teto do INSS.

Deu uma saidinha, votou e voltou. Olha que legal. Pode? Infelizmente, sim. É ético? Moral? Ou manipulação pura? Me diga você.

Manipulação não deve ser, não, gente. Messina é contra manipulações. Ele mesmo postou em redes sociais.

- Informe-se! Informe seu colega! Não seja manipulado pelo sindicato!

Viu que legal? Que preocupado? E continua esclarecendo:

- Só interessa aos maiores salários da Prefeitura e aos sindicatos políticos de oposição ao governo que a taxação não ocorra. Compartilhe!

Oi? Falta dinheiro? Sempre o mesmo argumento. Sempre a mesma proposta. Sempre no mesmo lombo: o do povo.

Então você fica velho. Usado, eu diria. Vintage. Meio descascado pelas agruras da vida. Menos saúde. Menos energia. O corpo dá defeito. As doenças aparecem. O salário diminui, o plano de saúde mais que dobra. Você vira sócio atleta da farmácia da esquina. E ainda te empurram mais um desconto?

Quando uma pessoa se aposenta, deu sua carne ao empregador. Sua saúde, sua energia, seus melhores anos. Sobraram os ossos. E as doenças que começam a aparecer e que levam muito do seu pobre salário.

É justo taxar servidor? É justo morder salário de aposentado? Essa prefeitura está chutando cachorro morto. Tripudiando em cima da fraqueza alheia.

Por que os aposentados? Porque estão espalhados, cada um em sua casa. Se encontram menos do que os que trabalham diariamente. Não têm como fazer greve. Pense, que pressão podem fazer?

Greve de aposentado é trabalhando? Que poder tem um aposentado além do seu voto? É assim que cuidam do povo?

Tenho conhecimento de que Messina é professor de matemática. Perito em problemas de difícil resolução, acredito. Pois apresento mais um.

Chamemos o rombo de X. O lombo do trabalhador de Y. Sabendo que o valor de X não está só em Y. Como buscar outras saídas para X poupando Y, para variar?

Meu bolso já está furado de tanto meterem a mão. É preciso buscar outras

alternativas. Tenho ótimas saídas. Soluções de maior impacto, inclusive.

1- Por que não cobrar da Câmara Municipal e do TCM a contribuição de 22%?

2- Que tal voltar a cobrar os 2% de ISS das empresas de ônibus? O projeto não deveria ter sido retirado da pauta pelo próprio governo. Um descuido, né?

3- As dívidas bilionárias em ISS de empresas devedoras que não recebem nenhuma punição? Já não daria uma ajudinha no rombo?

4- Se as contas passadas estão sendo acusadas de mau uso, por que foram aprovadas mesmo indo contra a recomendação dos técnicos do TCM.

5- O seu salário, Sr. Messina? O do prefeito? O salário de vocês é muito mais significativo que o de um professor. Ajudaria muito mais. Vai taxar o seu? Podemos passar a sacolinha?

6 - Que tal diminuir as mordomias? As viagens maravilhosas? Por que umas pessoas são imexíveis e outras só levam no lombo? Sempre as mesmas. Sempre com os mais pobres. Nos mesmos lombos esfolados e murchos.

Messina fala em bizarrice. Bizarrice, é a afronta dos servidores terem que pagar pelo que já pagaram a vida inteira. Já pagaram!

Bizarrice é esse pensamento sórdido de que trabalhador dá prejuízo. Que trabalhador tem que aceitar feliz ser cada vez mais descontado.

Já saímos da escravidão. Deixamos para trás a triste fase em que se trabalhava sem o direito a ter direitos. A ter voz. A se levantar contra injustiças. Mas parece que o ranço ainda persiste.

Messina tem toda a boa vontade em explicar os detalhes obscuros do projeto. Faz contas mostrando que não é nada. Como enfermeira com a agulha na mão. E você tem que se fingir de imbecil. Fazer cara de demência. E dizer que concorda. Do contrário, Messina te xinga.

Sim, isso mesmo que você leu. Ele ofende quem lhe questiona. Confira os prints nas redes sociais. Burra, mentirosa, preguiçosa. Messina trata professores como professores jamais poderiam tratar alunos. Sem consideração. Sem respeito. Sem dignidade. A quem a gente denuncia mesmo?

Ofende por que não suporta ser contrariado? Esquece que é uma pessoa pública? Que é pago com os impostos do povo?

Temos mesmo uma parcela burra, preguiçosa. Votam mal. Prejudicam todo mundo. Botam pessoas inadequadas no poder. Mas não me parece que sejam essas as que questionam.

Mesmo essas que eu também gostaria de xingar, com que direito esse senhor acha que pode ofender as pessoas? Com quem esse moço acha que está tratando? Com moleques? O nome disso é assédio? É assédio moral que chama, né?

A estratégia de fracionar a categoria em antes e depois de 2003, em Ais, P1, P2, merendeiras, prometendo migalhas, um pouco a cada, é velha. Da época dos engenhos também. Afinal, a união faz a força. O ditado é velho não é à toa.

Classe, sejamos mais do que isso. Além de nossos umbigos. Hoje o jardim não é seu. Mas pode ser logo o próximo. Só juntos faremos a diferença. Só unidos, a pressão.

Não se percam em detalhes. A grande questão não é o quanto vai descontar. Se de um salário ou dois. Se é pouquinho ou muito. Não se percam em detalhes. Isso é firula. Antolhos. A questão não é de detalhes. É o grosso mesmo. A questão é que o aposentado já descontou a vida inteira. E agora a prefeitura julga normal e ético que ele continue sendo descontado cada vez mais.

O trabalhador explorado como burro de carga. Sempre o mesmo burro. Cada vez mais carga. Basta. Basta de maus-tratos. De taxações imorais. De agressões aos trabalhadores.

Somos funcionários públicos. Dignos, competentes. Cada vaga conquistada com sabedoria e suor. Trabalhamos de sol a sol. E de lua a lua porque o salário não é suficiente.

Exijamos que larguem o chicote. Nosso lombo já está em carne viva. Querem dinheiro? Tirem de onde não mexem. Cobrem a quem deve. Essa dívida não é nossa, não.

Só a união faz a mudança. Só o povo na rua dá medo em quem não sabe lhe proteger. Por isso terça é dia de lua. Lute enquanto é tempo. Ou se cale para sempre. Se você não quer ser escravo, não aceite ter senhor de engenho.

Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Especialista em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias.

Escreva contando sua história. Mande sua sugestão para elbayehmonic@yahoo.com.br

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