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22nd of October 2018

Tecnologia



No terceiro ato da Apple, iPhone é coadjuvante

Estamos entrando na terceira era da Apple. Inicialmente uma companhia de computadores pessoais e hoje a trilionária fabricante do iPhone, a companhia está em busca da próxima grande novidade. As especulações quanto ao que ela poderia ser disparam a cada vez que um novo projeto dos laboratórios da empresa é revelado, seja um carro autônomo, um plano para serviços de saúde ou um óculos de realidade aumentada.

Embora os serviços vinculados ao iPhone sejam em si parte substancial e crescente da receita da Apple, ela continuará a necessitar de hardware para reter consumidores. Aposto que o futuro da empresa dependerá de um componente pequeno mas já próspero de sua carteira de produtos: os eletrônicos vestíveis.

Em sua conversa com analistas durante o mais recente anúncio de resultados da empresa, Tim Cook, o presidente-executivo da Apple, disse que o Apple Watch e os fones de ouvido AirPods geraram US$ 10 bilhões em receita nos quatro últimos trimestres. A empresa gerou quase US$ 30 bilhões em receita com o iPhone em seu último trimestre apenas, mas as vendas dos produtos vestíveis estão crescendo em um momento de estagnação nas vendas de computadores e smartphones. O grupo de pesquisa IDC definiu a Apple como líder do segmento de produtos eletrônicos vestíveis, com 17% do mercado mundial.

Nesta quarta-feira (12), a Apple deve anunciar um novo Apple Watch e novo AirPods, e modelos novos do iPhone. Não deve surgir nada de revolucionário, mas as atualizações propelirão o avanço incansável da empresa rumo às suas ambições no segmento dos vestíveis. O novo Apple Watch deve apresentar capacidade superior como monitor de saúde e substituto do celular, e o novo AirPods deve ser uma ponte para o Siri e outros aplicativos da empresa.

O que fica aparente é que a Apple está construindo um ecossistema de computadores vestíveis do qual seus clientes comprarão algum subconjunto, a depender de suas necessidades. Para o futuro, a empresa ainda guarda novidades no segmento de vestíveis de realidade aumentada --talvez óculos ou fones --, e quanto a outros sensores para uso em nossos corpos ou nossos ambientes que ofereçam maneiras alternativas de monitorar a saúde.

Todos os aparelhos terão um chip projetado pela Apple e conectividade sem fio, o que lhes dará o potencial de se tornarem plataformas. E o iPhone sempre melhorado vai se tornar menos um telefone e mais uma espécie de polo central para a "rede de área corporal".

Isso se torna especialmente relevante no caso da realidade aumentada. Em novembro do ano passado, Cook disse que acreditava que a realidade aumentada "vai mudar para sempre a maneira pela qual usamos a tecnologia".

Existem outros caminhos que a Apple poderia seguir nos eletrônicos vestíveis, especialmente no caso dos sensores de saúde. Em 2017, a companhia adquiriu a Beddit, uma empresa que fabrica hardware para monitorar o sono. A Apple ainda patenteou um sistema para monitorar os batimentos cardíacos via fone de ouvido. Todos esses avanços graduais podem expandir a fatia de mercado e o alcance da Apple. E é essa receita --em serviços e em atualizações semestrais de hardware - que importa mais para o futuro da Apple.

As vendas dos eletrônicos vestíveis da empresa talvez jamais eclipsem as do iPhone, mas eles podem ser o mais importante propulsor dos negócios da Apple em geral. A chave está na proporção da receita de empresa que vem dos serviços --um pedaço da torta que vem crescendo ainda mais rápido que as vendas de eletrônicos vestíveis. Em 2017, os "serviços" já eram um negócio de US$ 30 bilhões, e no mais recente trimestre, responderam por quase US$ 10 bilhões em receita.

Tradução do inglês de Paulo Migliacci

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