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22nd of July 2018

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Falando russo: alcunha de prisioneiros carrega conotação de injustiça

Embora possa ser entendido como "preso", o termo zek se relaciona com o Gulag, Administração Principal de Campos de Trabalhos Correcionais (Glávnoie Upravlénie Ispravítelno-Trudovykh Laguerei).

Zek (ou zeka) nada mais é do que a pronúncia de z/k, sigla de zakliutchónnyi (preso) kanaloarméiets usada em documentos oficiais para designar prisioneiros de campos de trabalhos forçados.

Kanaloarméiets se refere à construção do Canal Mar Branco-Báltico (Belomorkanal), de 1931 a 1933.

Utilizado por escritores como Aleksándr Soljenítsyn e Varlam Chalámov, zek passa a ideia de uma condenação injusta e mostra a despersonalização que ocorria nos campos stalinistas, onde qualquer minuto de descanso ao lado de uma estufa era uma dádiva.

"No meio da fome, do frio, de 14 horas de trabalho por entre as brumas brancas e geladas de uma galeria de pedras de ouro, de repente brotou algo diferente, uma espécie de felicidade, de esmola dada de passagem —só que a dádiva não era nem pão nem remédio, mas tempo, um descanso inesperado. Em nosso setor, o encarregado e capataz era Zúiev, um trabalhador contratado, um ex-zek que já tinha estado na pele de um preso", trecho de um dos "Contos de Kolimá", de Chalámov. Ex-zek, o escritor, condenado por crimes políticos, traça um testemunho tocante e brutal da vida dos detentos em Kolimá, região no extremo oriente da Sibéria onde proliferavam mortes, acrônimos e jargões criminais.

Os campos de prisioneiros deixaram de existir, mas zek tornou-se parte do vocabulário cotidiano dos russos. Mesmo desvinculadas do cenário original, palavras são vestígios de realidades que não podem ser esquecidas.

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