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23rd of October 2018

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Mr. Catra morre aos 49 anos

Mr. Catra e dançarinas num camarim.  Foto: Autumn Sonnichsen.

O trono do funk está vazio e não há substituto. Wagner Domingues Costa, o Mr. Catra, morreu na tarde deste domingo (9), em São Paulo. Ele havia se mudado à capital paulista para tratar de um câncer no estômago descoberto há pouco mais de um ano. O cantor de 49 anos fazia quimioterapia, e havia perdido quase 50kg desde o início do tratamento. Passou a se alimentar de forma mais saudável, cancelou boa parte da agenda de shows, parou de beber e diminuiu drasticamente o consumo de cigarro. Mas o pai de 32 filhos e avô de quatro netos não resistiu. A gargalhada rouca decidiu calar.

Os últimos dois meses têm sido dolorosos para os funkeiros. Em 15 de agosto, MC G3 foi assassinado dentro de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na última quinta-feira (6), morreu MC Naldinho, do funk “Um Tapinha Não Dói”, vítima de doença crônica nos rins. Agora, foi a vez do talvez mais famoso de todos, ‘Rei da Putaria’, mas também do ‘consciente’. Mr. Catra teve uma vida bem diferente da maioria dos funkeiros que surgiram na década de 1990. Criado na parte alta do bairro da Tijuca, Zona Norte carioca, na Rua Catrambi - vem daí o apelido -, ele teve a oportunidade de estudar em escolas tradicionais, como o Colégio Pedro II. Fã de rock na adolescência, chegou a ter uma banda chamada “O Beco”, mas apaixonou-se pelo funk no “boom” do gênero. Em 1994, já com estrutura de músico profissional, lançou não uma música, mas um CD inteiro: o “Bonde do Justo”, lançado pela Zâmbia Records, era recheado de letras de forte teor social, e trazia na contracapa um jovem Catra cumprimentando Mano Brown. De fato, o disco parecia uma versão funkeada dos temas já cantados pelos Racionais MC’s - “Favela também é arte”, “Vida na cadeia” e o primeiro clássico, “Retorno de Jedy”, eram algumas das faixas.

Entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, Mr. Catra apostou no “proibidão” e se consagrou. Mergulhou de cabeça nos temas de sexo, drogas e o dia a dia das facções criminosas, mais particularmente o Comando Vermelho. A voz rouca era a mais famosa das fitas cassetes de funk proibido. Catra emplacou “Cachorro”, sobre a vida de um X-9 na favela, “O Simpático”, depois regravada em versão pagode pelo Grupo Revelação, e “Adultério”, uma versão adaptada à putaria da música “Tédio”, da banda Biquini Cavadão - a versão light tomou as rádios do Brasil.

Catra dorme em um quarto de hotel. Foto: Autumn Sonnichsen.

Imparável, Catra fez de um tudo nessa vida. Converteu-se ao judaísmo depois de uma visita ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, e chegou a gravar funks em homenagem à comunidade judaica. Tornou-se praticamente um sócio proprietário de casas de massagem, cantando sempre os prazeres da “Four by Four”, no Centro do Rio. Virou amigo de gente poderosa na cidade, de policiais a políticos, de traficantes a bicheiros. Sua vida virou documentário, o “90 Dias com Catra”, de 2010, dirigido por Rafael Mellin, e que fez sucesso na Internet. Em 2012, gravou participação no DVD do Exaltasamba e lançou o “Com Todo Respeito ao Samba”, um disco só com sambas, a maioria de autoria própria. Atuou até como ator em 2016, no longa metragem nacional “O Roubo da Taça”.

Catra transformou até sua vida pessoal em um case de sucesso. Poligâmico convicto, chegou a ser marido de cinco - oficialmente - ao mesmo tempo, mas Sílvia foi quem esteve lado a lado desde o início; era claramente a “preferida”. A “mais esposa das esposas” cuidou de nove rebentos: cinco dela e quatro de outros casamentos. Os 32 filhos são de 14 mães diferentes.

A Internet sempre brincou com a prole gigantesca: Catra é pai de tantos que há a chance de ser o nosso também. E não é mentira. A morte dele nos deixou órfãos.

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