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22nd of July 2018

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Mia Khalifa só fez pornô por três meses, mas ainda é uma sensação no Pornhub

Foto via Instagram da Mia Khalifa.

Desde janeiro de 2015, meses depois de supostamente largar seu emprego numa lanchonete para começar uma carreira no pornô por sugestão de um cliente, Mia Khalifa tem sido um dos maiores nomes da indústria. Na época, ela já era uma das estrelas pornô mais bem cotadas no Pornhub há meses. Hoje, ela ainda emplaca em segundo lugar, logo atrás do ícone das notícias Stormy Daniels, mas na frente de gigantes da indústria, como Riley Reid. Ela também foi a atriz pornô mais buscada de 2016 e 2017 no site rival xHamster. E ela consegue a atenção da mídia de massa de um jeito que seus colegas, fora Daniels, nunca conseguiram.

Mas tem algo estranho na proeminência tão duradoura de Khalifa. Principalmente porque ela não é mais atriz pornô. E isso há mais de três anos. A breve carreira de Khalifa durou três meses no final de 2014, com seus filmes terminando a produção no começo de 2015.

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Outros artistas saíram da indústria adulta e conseguiram manter algum grau de fama entre os fãs, como Sasha Grey, que ainda é a 19ª atriz mais popular do Pornhub, apesar de ter se aposentado oficialmente do pornô no começo de 2011. Mas Grey e sua turma ganharam fama através de anos de produção de conteúdo e construção de imagem dentro da indústria. Geralmente, diz Cyber5, um pseudônimo usado pelo editor do xCritic.com, quando uma artista faz sucesso no começo da carreira mas sai logo depois, ela pode reter uma pequena base de fãs ativa, mas geralmente cai rápido nos ranqueamentos. “As pessoas se entediam se você não está fornecendo algo novo”, diz a editora pornô Erika Icon. “Elas vão eventualmente voltar sua atenção para outra artista. Honestamente, estou surpresa que as pessoas ainda estejam falando sobre ela.” Especialmente considerando a extensão e âmbito da carreira de Khalifa, diz Icon.

Khalifa, acrescenta Cyber5, tem sido “um tópico de discussão na comunidade adulta... sobre 'atrizes superestimadas'” há anos. Sua popularidade contínua também parece confundir alguns espectadores do pornô. Então como exatamente Khalifa conseguiu essa fama tão duradoura na indústria adulta?

Khalifa, através de seu empresário atual, não quis comentar sobre sua fama. Mas muitos envolvidos e observadores da indústria compartilharam seus pensamentos e análises sobre a carreira dela, apontando algumas explicações viáveis para sua notoriedade.

Khalifa ganhou seu impulso inicial para a fama quando começou a fazer pornô usando um hijab. O filme de novembro de 2014 do BangBros Mia Khalifa is Cumming for Dinner foi o primeiro 'hijab porn' de um grande estúdio produzido nos EUA. (Conteúdo amador pode ter apresentado hijabs antes, mas esses vídeos são difíceis de rastrear e não ganharam muita visibilidade.) Pornô com hijab era algo novo na indústria, o que sempre chama a atenção. A produção também foi controversa e acabou abordada pela mídia mainstream, aumentando sua base de espectadores e elevando seu perfil. “Às vezes você precisa de um pouco de sorte”, diz o famosos empresário da indústria adulta Mark Schechter, “conseguir a cena certa na hora certa pode mudar a carreira de uma modelo da noite para o dia”.

Mas usar um hijab não explica totalmente nem o sucesso inicial de Khalifa. Afinal de contas, apesar dela ter disparado para o número um dos ranques do pornô depois desse lançamento, sua colega de cena, Julianna Vega, que também usava um hijab, só chegou ao número 19 depois do filme. Parte da diferença no apelo, observadores da indústria concordam, se resume simplesmente aos peitos grandes de Khalifa. Mas parte disso pode vir das origens árabes da atriz; ela nasceu e viveu um tempo em Beirute, Líbano, antes de se mudar para os EUA quando criança.

“Não há muitos artistas pornôs libaneses ou do Oriente Médio”, diz Alex Hawkins, vice-presidente do xHamster. “Fora questões de imigração, não há uma cultura de produção de pornô doméstico no Oriente Médio, como acontece na América do Sul” ou Europa. Estúdios já tentaram fazer artistas etnicamente ambíguos, como Vega e Janice Griffth, se passarem por árabes em algumas cenas. Mas Khalifa parecia diferente e tinha acessórios, como duas tatuagens em árabe, mostrando suas raízes no Oriente Médio.

As origens de Khalifa não geraram interesse só porque eram incomuns dentro da indústria, diz Hawkins. Como outro comentarista apontou quando as primeiras cenas com hijab dela emergiram, elas atendiam a um interesse racista em ver uma mulher claramente árabe muçulmana dominada sexualmente por um homem branco. (Khalifa não é muçulmana. A família dela é cristã. Mas isso não importa no pornô, que jogou um hijab em cima dela para usar melhor seu nome, tom de pele e tatuagens.) “Como consumidores de pornô”, reconhece Hawkins, “nossos desejos muitas vezes são coloniais”.

As cenas com hijab também chamaram a atenção da mídia libanesa, que transformou Khalifa num debate nacional sobre aceitação de pornô e agência feminina. Ela ficou tão famosa no país que, em janeiro de 2015, uma cervejaria local usou o nome dela e seus óculos de aro grosso marca registrada para a propaganda “somos para maiores de 18”. Então, além do pico de interesse gerado pela polêmica nos EUA, ela conseguiu um impulso de trafego no Líbano e países próximos.

Mas seu impulso inicial de popularidade não aconteceu inteiramente por acaso. Desde o começo, Khalifa mostrou um instinto natural de como construir uma base de fãs nas redes sociais, diz Hawkins. “Ela é meio que o equivalente pornô da Chrissy Teigen”, ele argumenta. Icon acrescenta que, ironicamente, era muito difícil para fãs e a mídia entrarem em contato com Khalifa, apesar dela parecer tão acessível, o que pode ter alimentado o fascínio por ela. E segundo Schechter, não atrapalhou o fato dela ter assinado um contrato com a BangBros, uma grande produtora, que deu a ela muita publicidade e exposição. (Algumas pessoas na indústria acham o sucesso instantâneo dela meio suspeito.)

A visibilidade e polêmica que levaram Khalifa ao topo tão rápido também podem ter feito ela deixar o pornô. Não só a notoriedade dela a afastou da família, mas rendeu ameaças de morte no Líbano e do Estado Islâmico, que na época estava no auge. Eles photoshoparam o rosto dela numa vítima de execução, o que, ela disse num podcast com Lance Armstrong no começo do ano, a incentivou diretamente a deixar a indústria. Mas mesmo em 2015, ela já dizia que não pretendia fazer pornô por muito tempo.

As mesmas forças que levaram à sua fama e aposentadoria precoce provavelmente tiveram um papel em sua proeminência contínua, concordam os especialistas. A polêmica inicial e as ameaças de morte renderam um lugar na mídia mainstream, o que, como Icon aponta, provavelmente deu um impulso durador ao conteúdo antigo dela, enquanto novos espectadores a conhecem e decidem explorar sua obra. Todo um nicho de conteúdo com hijab cresceu depois das cenas dela, indicando que há uma base de consumidores consistente para o formato. Mas os vídeos de Khalifa continuam especialmente populares, talvez por combinar hijab a uma origem claramente árabe. As raízes dela também atraem tráfego de comunidades árabes, onde os espectadores podem estar procurando alguém que pareça com eles ou o tipo de mulher que gostam, e muitas vezes encontram Khalifa primeiro ou apenas ela. “Pelo que sei, muito do tráfego dos vídeos dela vem do Oriente Médio” até hoje, diz Cyber5.

Khalifa também deu sorte. A BangBros vem reciclando algumas de suas cenas nos últimos anos, a colocando de volta na página principal. E em janeiro eles lançaram um “novo” clipe dela, que Cyber5 disse “aparentemente envolver uma falha de hard drive no estúdio e várias tentativas de recuperar o conteúdo” nos últimos anos. Isso pode ter ajudado Khalifa a não ser vítima da regra “sem conteúdo novo, sem envolvimento dos fãs” do pornô.

Talvez mais importante: Khalifa vem perseguindo outras formas de fama usando seu nome artístico. Ela pode não se envolver ativamente com seu histórico pornô, mas claramente elevou sua fama na indústria para uma base central nas redes sociais. Ela ainda posta fotos picantes e dá conselhos sexuais de tempos em tempos, o que pode parecer pequenas pepitas para seus seguidores eróticos.

Em 2016, ela se reinventou como uma “personalidade da internet” e se focou em chamar atenção para os esportes da área de DC. (Atualmente Khalifa mora no Texas, mas viveu em DC quando chegou aos EUA.) Do final de 2017 até o começo de 2018, ela usou essa experiência nos esportes para apresentar o programa esportivo “Out of Bounds” do Complex. Desde que saiu do programa no começo do ano, ela fez um canal de comentário de esportes do Twitch. Durante tudo isso, ela atraiu cobertura constante e novos seguidores dando declarações ultrajantes: falando mal do WNBA e WWE, e envergonhando atletas que tentaram mandar mensagem direta para ela nas redes sociais. Muitas vezes, ela faz ataques extremamente pessoais que rendem conteúdo perfeito para a internet.

“Agora ela está numa indústria totalmente diferente voltada para os fãs”, aponta Cyber5, “e tem tantos seguidores assim por causa disso”. (Ela tem 2,27 milhões de seguidores no Twitter e impressionantes 8,2 milhões no Instagram, muitos que começaram a segui-la depois de sua fase pornô.) “Quando esses novos seguidores ficam sabendo que ela fez filmes adultos, eles vão direto para os sites de streaming!” E talvez essa seja a principal razão para os vídeos dela continuarem tão populares.

Khalifa não mostra sinais de estar perdendo fãs. E logo pode ganhar ainda mais, já que está em contato com uma nova demografia no Twitch e explorando carreiras paralelas, como cozinhar. Sua posição nos ranqueamentos provavelmente vai durar enquanto sua influência nas redes sociais for mantida.

Resumindo, a fama pornô de Khalifa dura muito mais que sua carreira no pornô em parte por pura sorte. Ela era a pessoa certa fazendo as cenas certas na hora certa, e conseguiu que uma grande companhia cuidasse de sua promoção. Mas ela também sabe o que está fazendo, se promovendo nas redes sociais quando tinha uma carreira no pornô e depois usando as mesmas habilidades para seguir outro caminho, que manteve sua antiga fama viva. “Foi mesmo uma coisa 'tempestade perfeita' que fez tudo isso acontecer”, diz Cyber5.

“Ela definitivamente estava numa situação única”, acrescenta Schechter. Nenhum artista antes teve a mesma mistura de circunstâncias certas e habilidades para fazer sua importância durar muito mais que três meses de filmagens. E é bem difícil alguém fazer isso de novo tão cedo. E seria quase impossível engendrar uma trajetória assim hoje.

“Muita gente pode dizer que o sucesso dela é por acaso”, diz Icon. Ainda assim, ela reconhece que a popularidade persistente de Khalifa é real e poderosa. “Se ela quisesse voltar e fazer só uma ou duas cenas, acho que ela poderia quebrar a internet. Sério.”

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